70% da população mundial não sabe o que é linfoma

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Alerta à população: número de casos de linfoma duplicou nos últimos 25 anos; conscientização sobre o que é a doença é importante para o diagnóstico precoce

Segundo a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), 70% da população espalhada pelo mundo ainda desconhece o que é linfoma, um tipo de câncer de células do sistema imunológico ou linfático: os linfócitos (glóbulos brancos).
A manifestação da doença acontece quando essas células de defesa do organismo, sofrem alguma alteração, como uma mutação por exemplo, causando um aumento de replicação ou multiplicação celular, além de maior chance de ocasionar seu envelhecimento, fazendo com que os linfócitos alterados vivam mais.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 12.710 mil novos casos de câncer por ano do biênio 2018-2019, sendo 10.180 casos do linfoma não Hodgkin (LNH), e 2.530 de linfoma de Hodgkin (LH), causando cerca de 4 mil mortes por ano.

A diferença dos dois grupos de linfomas, além das características de suas células malignas, está na complexidade de cada tipo e faixa etária atingida. O de Hodgkin, primeiro a ser descoberto na história da medicina em 1832 por um médico inglês Dr. Thomas Hodgkin, é o câncer mais comum em jovens entre 15 a 35 anos e tem um alto índice de cura, em alguns casos pode chegar a 95%.
Já o não Hodgkin, esse mais complexo, já que apresenta mais de 50 subtipos, acomete o público mais velho, em média com 70 anos. A incidência é maior em homens do que em mulheres.

“O linfoma pode aparecer em qualquer local em que existam as células linfáticas, mas se manifesta principalmente nos gânglios linfáticos. É preciso conscientizar a população principalmente sobre todos os sintomas da doença. O conhecimento vai ajudar com o diagnóstico precoce”, explica o Dr. Otávio Baiocchi, hematologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Entre os sintomas mais comuns estão aumento dos gânglios linfáticos, como ínguas indolores, no pescoço, axilas e/ou virilha, febre, coceira, cansaço, suor noturno excessivo e perda de peso maior que 10% sem causa aparente.

A manifestação da doença pode ocorrer em outras regiões do corpo, como tórax, provocando tosse, falta de ar e dor torácica. Quando se apresenta na pelve ou no abdômen, os sintomas são dores e distensão abdominal.

Como em todos os outros tipos de câncer, os especialistas apontam a dieta balanceada, ricas em verduras e frutas, e atividade física como formas de prevenção. Principalmente para o tipo de linfoma não Hodgkin, esses hábitos diminuem riscos de processos inflamatórios no corpo. Porém, a causa das maiorias dos tipos de linfomas é desconhecida.

Entre os grupos de risco apontados pela medicina estão pacientes imunossuprimidos (transplantados ou infectados pelo vírus do HIV) e os infectados pelo HTLV1 (retrovírus causador de infecções e câncer). Em 2016, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que algumas próteses mamárias podem causar inflamação crônica, levando, mesmo que raramente, um tipo específico de linfoma não Hodgkin: O linfoma não Hodgkin anaplásico relacionado a prótese mamária.

Nos últimos 25 anos, o crescimento do número de pessoas acometidas pela doença duplicou, mas o motivo ainda é desconhecido. Três teorias, ainda pouco conclusivas, norteiam as discussões médicas: envelhecimento da população que aumenta a propensão de desenvolvimento de qualquer tipo de câncer, o avanço na melhora nos métodos de diagnóstico por imagem precocemente e aumento da população imunossuprimida.

“Não existem ainda evidências científicas sobre o motivo do aumento de casos no mundo, mas o importante é que as pessoas conheçam a doença e tenham diagnóstico precoce. A falta de conhecimento leva a um atraso na detecção do câncer, prejudicando as chances de cura. Se a pessoa apresentar um aumento sem causas aparentes dos gânglios (ínguas) e os outros sintomas da doença, deve procurar um hematologista imediatamente”, comenta Dr. Baiocchi.

Diagnóstico e tratamento

Os exames mais comuns para detecção é a biopsia dos gânglios e exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética. Alterações em hemogramas, que detectam inflamações, também auxiliam no diagnóstico.

O hematologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz aponta que, nos últimos anos, as chances de cura aumentaram muito. “A medicina atual consegue entender melhor como funciona as mutações dos linfócitos, com isso, surgem cada vez mais novas drogas que ajudam no combate ou no controle da doença, atuando no tipo especifico da doença”, comenta.

O tratamento do linfoma inclui quimioterapia associada a imunoterapia, que tem tido maior eficácia e menos efeitos colaterais. A radioterapia e o transplante de medula óssea são indicados em casos específicos, e só após os outros tratamentos feitos com prescrição das drogas.

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